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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A história na arquitetura da cidade de Goiás


A cidade de Goiás fica a 140 km da capital, com acesso pela GO-070. Saem ônibus regularmente de Goiânia podendo o turista usar esse transporte se assim quiser. A cidade de Goiás, ou “Goiás Velho”, como também é chamada por alguns, guarda um patrimônio arquitetônico e cultural dos mais ricos do país, podendo a partir de sua visitação e de breves relatos informar sobre sua rica história e sobre a história de nosso glorioso Estado. Tanto que, em 2001, o centro histórico foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Suas ruas tranquilas mantêm o calçamento original de pedras e os prédios históricos do século XVIII mostram uma arquitetura colonial em que prevalece a simplicidade com poucas influências do barroco.
A origem da cidade está ligada à exploração do território brasileiro pelos bandeirantes paulistas. No início do século XVIII, vilarejos provisórios eram erguidos para abrigar os mineradores de ouro. O Arraial de Sant'Anna, fundado por Bartolomeu Bueno da Silva, em 1725 na margem do rio Vermelho, se tornaria a atual cidade de Goiás, mas antes, também foi chamada de Vila Boa. Vila Boa tão cantada nas belíssimas canções de cantores goianos como Marcelo Barra, por exemplo. Por volta de 1750, torna-se a capital da recém-criada capitania de Goiás, desmembrada da capitania de São Paulo.
Tudo na cidade permite que se entre em contato com a história. Basta andar pelas ruas, entrar nas igrejas, admirar as construções antigas, ir ver a casa onde viveu sua mais ilustre moradora, a poetisa Cora Coralina, ou conhecer o Museu das Bandeiras. Nos doces e nas manifestações religiosas, como a impressionante Procissão do Fogaréu da Semana Santa, permanecem as raízes culturais do passado. Para quem gosta de curtir a natureza, são organizadas caminhadas na reserva ambiental da Serra Dourada, que se ergue em um dos lados da cidade. Além das pousadas do centro histórico, há hotéis instalados nas fazendas dos arredores, tudo na cidade de Goiás é história pra onde os olhos virarem verão algo que estará intimamente ligado ao conteúdo histórico da antiga capital goiana.
As Igrejas são quase todas do século XVIII e revelam simplicidade de estilo. A Igreja da Boa Morte (1779) é a única que apresenta elementos típicos do barroco na fachada. Abriga o Museu de Arte Sacra, com destaque para as imagens de Veiga Valle, escultor local, que viveu no século XIX. Merecem ser vistas também as igrejas São Francisco de Paula (1761), N.S. do Carmo (1786), N.S. da Abadia (1790) e de Santa Bárbara (1780), em cada um destes lugares se terá contato direto com a história dali. Em 1918, o saudoso escritor e poeta Luis do Couto, trouxe para a Cidade de Goiás a Cruz do Anhanguera, que foi instalada as margens do Rio Vermelho onde existiu no local, a igreja da Lapa, levada pela grande enchente de 1839. Na enchente do dia 31 de dezembro de 2001 este monumento foi levado pela correnteza. Dias depois a Cruz do Anhanguera foi encontrada dentro do leito do Rio Vermelho. O monumento se encontra hoje totalmente reconstruído (O cruzeiro original se encontra no Museu das Bandeiras).
No grande prédio construído em 1761, onde funcionaram a cadeia, a câmara e a justiça, fica o Museu das Bandeiras, que expõe objetos usados na exploração do ouro. O Palácio Conde dos Arcos (1755), onde há um museu, foi construído para acomodar o governador da capitania. Todo ano, no aniversário da cidade, abriga a sede do governo, que se transfere de Goiânia por alguns dias. Outras construções significativas são o Quartel do XX (1747), a Casa do Bispo e os chafarizes da Boa Morte e do Largo da Carioca.
Por fim, o casarão onde viveu a poetisa e doceira Cora Coralina fica na cabeceira da ponte sobre o rio Vermelho. Uma das primeiras construções de Goiás é uma típica residência do século XVIII e inspirou alguns de seus poemas. Em uma parte da casa foi montado um pequeno museu que homenageia a mais famosa das filhas de Goiás. Uma antiga tradição da cidade são os alfenins, doces de origem portuguesa, preparados com açúcar e polvilho com simpáticos formatos de animais. Os doces de frutas cristalizadas também são famosos e se pode acompanhar o trabalho das doceiras. A história está lá na cidade de Goiás, está em suas ruas, em seus prédios e casarões, em sua arquitetura e em seu povo, Goiás, Goiás, Goiás!
“Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa. ”(Cora Coralina, poema Humildade)
Professor Nilton Carvalho é teólogo, historiador e pós-graduado em educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás-(PUC). ndc30@hotmail.com; http://historiaeculturandc.blogspot.com/; http://reformaortografica2009puc.blogspot.com



sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Divorciados e felizes

O estado civil é um estado que não conta para a nossa realização ou não realização. O estado de espírito, esse sim é importante. O estado de espírito com que encaramos o nosso dia a dia, o estado de espírito com que enfrentamos os novos desafios, enfim, o estado de espírito que decidimos adotar para sermos nós próprios, quiçá, muitas vezes, pela primeira vez, podermos ser donos e senhores do nosso destino. A família é uma instituição muito flexível e um lar pode ser construído e constituído até por um único membro, óbvio que a parceria, a cumplicidade, a amizade, o encanto e a magia do ato conjugal e tudo que envolve a sexualidade é indescritivelmente prazeroso quando se é feliz e quando tudo vai bem. Contudo, quando chegam às nuvens negras e o casamento acaba não é o fim de nossas vidas.
Creio no casamento para sempre, mas creio também que ninguém nasceu para viver o martírio da infelicidade eterna em um tenebroso casamento. O matrimônio é feito e edificado sobre a égide do amor, do diálogo, do prazer e da cumplicidade, faltando isto e não havendo mais possibilidades de restauração já esgotadas todas as tentativas, então o inevitável acontece. Vem a separação e a quebra da aliança matrimonial. E em muitos casos isso é o melhor, pois podemos está falando de traições, agressões e sérios desentendimentos. Como disse certo poeta o casamento é a única coisa que pode fazer com que inimigos habitem a mesma casa. Mas, até quando? O casamento é uma benção divina, creio nisso, mas quando é uma benção mesmo.
Há vida depois do "fim do mundo" (e não é nada má!), é como se o mundo tivesse acabado que muitos enfrentam o divórcio. Os números não param de subir, mais de um em cada quatro casamentos terminam em divórcio, e o aumento das taxas de divórcio tem sido, nos últimos anos, estrondoso. O que fará com que o divórcio, citado como um dos acontecimentos mais negativamente marcantes na vida de alguém seja cada vez mais a saída? Poderemos atuar no sentido de prevenir o crescimento destas taxas? Sim, poderemos desde que tratemos a constituição de uma família como algo sério e para sempre e, não, o divórcio não é a melhor opção desde que haja amor, fidelidade e respeito. Os problemas poderão ser sanados é só buscar ajuda especializada em cursos, encontros e orientações matrimoniais. Mas se nada deu certo e o produto disso tudo foi o divórcio a vida não acaba ai, dá pra ser feliz e recomeçar de novo. Tanto homem quanto mulher podem sim encontrar a felicidade e o prazer de ter uma nova família.
Portanto, dá sim para ser feliz e divorciado, para tal é necessário três coisas básicas a primeira é perdoar o ex-cônjuge, a segunda é acreditar que você é capaz de fazer alguém feliz sendo feliz também, a última é não anular o ex-parceiro/parceira (exceto se há violência envolvida ai é outra orientação), ele/ela fará para sempre parte de sua vida se tiverem tido filhos, poderá continuar amando seus parentes e se relacionando com eles e com seus amigos, isso não diminuirá sua eficiência e afetividade em seu novo relacionamento. A amizade, o perdão e a boa convivência são fundamentais para a felicidade pós-divórcio.
Por fim, a felicidade pós-divórcio depende de nós mesmos e não dos outros. Ser feliz é um modo de pensar e de sentir é um estado de espírito. Quem não se sente feliz, basta mudar seu modo de pensar, de sentir e de agir e toda a tempestade passará. Assim nossas vidas mudarão em todos os sentidos. A mudança será para nossa felicidade, devemos, pois, trabalhar para eliminarmos as coisas que nos causam infelicidades e angustias tudo dependerá de nosso enfoque, passando pelo perdão e acreditando em tudo novo. Dá para ser feliz sim.
Professor Nilton Carvalho é teólogo, historiador e pós-graduado em educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás-(PUC). ndc30@hotmail.com; http://historiaeculturandc.blogspot.com/; http://reformaortografica2009puc.blogspot.com

quinta-feira, 5 de agosto de 2010


O calvário dos professores da rede municipal de Goiânia

Os professores municipais paralisaram as atividades no dia 20 de maio. É uma vergonha o que essa administração petista vem fazendo com a educação municipal em Goiânia, quando eram oposição mentiram quando deram apoio aos professores grevistas, mentiram sim, pois agora que são situação se quer respeitam o piso nacional que foi sancionado na atual brilhante administração petista bem diferente da municipal. O Sr. Paulo Garcia deveria se envergonhar juntamente com todos os secretários e vereadores. Por que eles não reduzem seus salários e aprovam um salário mínimo de R$ 3.000,00 para os professores em início de carreira? Eles têm vale-tudo (Terno, gasolina celular, moradia, verba de gabinete e outras) e os professores “vale-nada” se quer boas condições de trabalho, é uma questão de falta de vergonha mesmo, de práticas elitistas e aristocráticas outrora tão combatida pelo PT goiano e agora praticadas de forma leviana e covarde por essa administração e isso faz com que essa administração perca a credibilidade em ano eleitoral.
A greve já contabiliza mais de 70 dias contando os dias previstos no calendário escolar de 2010, as férias de julho, feriados e finais de semana. Os professores reivindicam piso salarial de 1.300,00 reais e a prefeitura sugere que o valor fique em 1.024,00 reais. Professores da Rede Municipal de Educação paralisaram por tempo indeterminado as atividades para cobrar do poder público o retorno da discussão do projeto de lei nº 17/2010, na Câmara Municipal de Goiânia que implantaria o piso salarial profissional nacional para os professores. A proposta foi encaminhada à Câmara pelo ex-prefeito, Iris Rezende. Aonde foi apresentada uma proposta de salário de R$ 1.312,00. No entanto, alguns vereadores incluíram emendas alterando o projeto, que foi retirado de pauta por solicitação do atual prefeito Paulo Garcia para análise técnica (Portal 730).
Contudo, R$ 1.024,00 ou R$ 1.312,00 não são suficientes para a manutenção de forma digna de uma família e de uma profissão tão importante como a de professor, o professor precisa continuar sua formação onde em média um mestrado, por exemplo, custa em torno de vinte parcelas de R$ 1.277,00, isso não é no mínimo discrepante? O piso nacional para professores em início de carreira na educação básica da rede federal é de graduados R$ 2.757,64; especialistas R$ 3.077,28; mestres R$ 4.094,25 e doutores de R$ 6.055,01(Fonte: edital IFG 2010 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás; Edital nº 030*, de 29 de abril de 2010). O que ainda é pouco mais já é uma grande conquista, pois a oito anos atrás os valores eram menos da metade do que é hoje e, essa conquista toda é graças a atuação do Governo Lula que vem valorizando a classe de forma gradativa e atuante mudando a realidade da educação brasileira, algo que deveria ser tendência em todas as cidades e Estados brasileiros, principalmente aonde o PT estivesse administrando o que não percebemos aqui em Goiânia, por exemplo.
Segundo levantamento do G1, o prefeito de Goiânia tem um salário de R$ 12,72 mil mensais, entre as câmaras municipais de vereadores, Goiânia tem hoje o oitavo maior subsídio entre as 26 capitais estaduais. Cada um dos 35 vereadores da capital goiana recebe por mês R$ 9,4 mil, mais subsídios e verbas de gabinete.
De acordo com a Constituição Federal, o subsídio dos vereadores deve ser fixado pelas respectivas câmaras municipais em cada legislatura para a subsequente, observando os limites máximos de remuneração, de acordo com o número de habitantes do município. Em municípios de até 10 mil habitantes, o salário máximo dos vereadores corresponderá a 20% do subsídio dos deputados estaduais; de 10 mil a 50 mil, a 30%; de 50 mil a 100 mil, a 40%; de 100 mil a 300 mil, a 50%; de 300 mil a 500 mil, a 60%; e mais de 500 mil, a 75%. Diferentemente do caso dos vereadores, a Constituição não estabelece um limite específico para a remuneração dos prefeitos. Conforme a Constituição, o teto para a remuneração de todos os agentes públicos é o subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): R$ 24,5 mil. Só para lembrar neste momento a Câmara Federal está aumentando seus salários o que refletirá em efeito cascata Brasil afora. Mas os professores estão segundo o prefeito Paulo Garcia e sua Câmara Municipal; bem pagos com R$1.024,00, seguindo então o seu calvário.

Professor Nilton Carvalho é teólogo, historiador e pós-graduado em educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás-(PUC). ndc30@hotmail.com; http://historiaeculturandc.blogspot.com/; http://reformaortografica2009puc.blogspot.com

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Corações frios em nossos dias
Tenho visto uma crescente frieza nos seres humanos, já não se respeita a dignidade humana. Muitos que se dizem humanos e até serem religiosos estão demonstrando um coração frio na maneira como tratam as outras pessoas. Isso me faz lembrar uma passagem bíblica aonde Jesus afirma “Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações. [...] Nesse tempo, muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão. [...] E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará”. Isso acontece, na integra entre nós, o pecado, a maldade e toda sorte de transgressão entram na vida de várias pessoas e o resultado final disso tudo é que os corações tornam-se muito frios, prontos para qualquer maldade a qualquer custo.
Parece que estamos voltando ás épocas mais remotas da humanidade onde a força e a violência extremas eram normais no comportamento dos homens. Por exemplo, a violência protagonizada pelos jovens nas escolas é uma realidade inegável. A sociedade terá que se organizar e insurgir-se ativamente contra este fenômeno. A melhor forma de insurreição aqui seria à volta as práticas fraternas e solidarias de outrora, pois não ensinamos nossos filhos o respeito pela vida nem pelo o outro, tampouco pelo próximo. De igual modo, a escola terá que ajustar os seus conteúdos programáticos e acercar-se mais às crianças.
Devido às exigências, as famílias muitas vezes destituem-se da sua função educativa, delegando-a a escola. A escola educa, mas intelectualmente, educa sim, mas para o mercado, continua educando, mas para a maturidade profissional e intelectual e por último, para a vida. No meio de toda esta confusão, estão às crianças, os nossos filhos, que, atuam conforme aquilo que observam e agem consoante os estímulos do meio. Meio esse que por vezes oferece modelos de conduta e referências negativas ou positivas e, este é o papel da família educar moralmente e para a vida. A primazia da família é a educação do respeito ao outro, do respeito e amor à vida. A sociedade mundial tem sido um pouco indiferente relativamente aos seres que são socialmente frágeis e que muitas vezes adotam condutas violentas como forma de proteção e/ ou imitação.
É também, papel do professor acolher o aluno, muito da violência em sala de aula é provocada pelos professores e pelos monitores em geral. Não dar mais para mandar o aluno embora para casa se ele chegar sem uniforme na escola, a mãe pode não ter tido como lavar ou condições para comprar, não se pode humilha a criança que chega de sandálias de dedo na escola o pai pode não ter tido condições de comprar um tênis. Lugar de criança é na creche e na escola, bem acolhida e tratada com respeito e carinho, criança também é ser humano. Não estamos mais na época da ditadura, a escola brasileira precisa de professores acolhedores que escutem os problemas de seus alunos, não há mais espaço para coordenadores ditadores em nossa sociedade. Estas mazelas acontecem por falta de amor e por que os seres humanos possuem corações frios.
Os pais precisam amar seus filhos, não dar para devolver os filhos eles são para sempre, desejáveis ou não eles são filhos dos pais e, estes devem assumi-los. O contrário disso é um coração frio e desumano. O resultado é violência crescente, prostituição infantil; aumento de viciados em drogas cada vez mais precoces. Os culpados são aqueles que os empurraram para esta situação. Toda vez que um pai não ajudou seu filho em um problema, não o orientou, não o assumiu ele criou um ser de coração frio, um marginal, um criminoso sem coração. Óbvio que toda regra tem exceção. Toda vez que um professor ou coordenador jogou para fora um aluno sem acolhê-lo, sem orientá-lo, sem conversar com seus pais, mais corações frios foram criados vide a violência que tão de perto nos assola.
Por fim, é isso que Jesus estava falando que à medida que fossemos desumanos pagaríamos as consequências com o aumento de pessoas más produzidas por nós mesmos. A violência nas escolas e nas ruas não é um fenômeno novo. Todavia, tem vindo a assumir proporções tais que a escola e a sociedade não sabem que medidas tomar para sanar este problema. Com um intuito ávido de conhecer como a escola, a família e em sentido lato a sociedade se organizará na gestão desta problemática tão grave nos dias de hoje devemos refletir qual é a parcela de culpa que temos por uma sociedade tão violenta, sem amor e de coração frio. Pois, nos esquecemos completamente daqueles mandamentos que diziam “não matarás”, “não furtarás”, “não cobiçarás a casa de teu próximo”, e o maior de todos “amarás o próximo como a te mesmo”, quando fizermos isso e ensinarmos isso possa ser que o homem aprenda a amar.
Professor Nilton Carvalho é teólogo, historiador e pós-graduado em educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás-(PUC). ndc30@hotmail.com; http://historiaeculturandc.blogspot.com/; http://reformaortografica2009puc.blogspot.com

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Pais cuidem dos vossos filhos


Pai e mãe têm que usar muito de psicologia para administrar os filhos, dar exemplos, compreendê-los e encaminhá-los para a vida. Nesta perspectiva muita coisa pode ser usada, mas tem uma que sempre que usada é infalível e tem um efeito tremendo sobre os filhos, esta ferramenta é a atenção dispensada a eles. Sem atenção é quase impossível que os filhos tenham sucesso na fase adulta, suas formações moral, ética e cultural terão problemas para sempre. A atenção fala de diálogo, de ouvir o que o filho tem a dizer, mas não só isso, fala também de exemplos práticos por parte dos pais.
Pai que não estuda, não tem autoridade para pedir ao filho que estude. Este pai deve por amor ao seu filho ler bons livros, jornais e revistas para que veja seu interesse. Mãe que não dar bons exemplos não pode exigir isso dos filhos, os exemplos falam mais alto que as palavras.
Pais e mães têm recorrido a profissionais como psicólogos, psiquiatras e educadores, na procura de respostas e conselhos sobre o que fazer com seus filhos quando esses costumam apresentar problemas como: comportamentos socialmente inadequados, dificuldades de relacionamento interpessoal, bem como problemas de adaptação escolar e aprendizagem. As maiores queixas ficam entre os comportamentos sociais inadequados e dificuldades de convivência familiar. Provavelmente estes problemas foram causados pelos próprios pais que se esqueceram de se preparar para tal sacerdócio, isso mesmo ser pai ou mãe é um sacerdócio.
Pais que vivem vidas fáceis estão ensinando os filhos viverem assim, pais que são boêmios produzirão filhos boêmios. Pais que mentem para se dar bem estão dando o exemplo para seus filhos. Pais violentos, filhos violentos, claro que em toda regra há exceção. Contudo, o óbvio é o mesmo para pais que dão bons exemplos aos seus filhos, eles crescerão fazendo aquilo que é correto. Pais que amam terão filhos amorosos, pais que educam terão filhos educados e educadores, pais que se envolvem com o bem, com a caridade, com a fraternidade e com tudo que é exemplo positivo terão quase que cem por cento filhos assim também. Então teremos uma sociedade livre ou quase livre de violência e de toda sorte de barbáries.
Olhando um pouco para trás, percebe-se que a partir da década de 60 e da revolução sexual, tem-se o início de uma transformação nos costumes e valores válidos em nossa sociedade. Entre tantos outros conceitos questionados, os modos de educação mais repressores foram postos em cheque, e começou a se erguer a bandeira da educação mais liberada para prevenir os “traumas” que uma educação muito repressora poderia causar na vida emocional dos filhos. Ainda, com o desenvolvimento das pesquisas na área da psicologia e psicanálise, enfatizando a importância da influência do ambiente na formação de um indivíduo, a questão da educação dos filhos tem merecido um maior cuidado por parte de educadores, psicólogos e estudiosos de várias áreas. Muitas são as teorias novas que surgem sobre o que fazer e como proceder, tudo na tentativa de orientar os pais nessa difícil tarefa.
Se pelas gerações antigas a criança era tratada como um “mini-adulto”, sem direito a desejos e vontades, sem direito a quaisquer cuidados especiais em respeito à sua condição de criança, parece que as gerações mais jovens, talvez tenham pecado pelo excesso, no sentido inverso, passando a tratar a criança como um “rei no trono”. O certo é não haver nem um extremo nem outro, mas um equilíbrio entre liberdade, responsabilidade e obrigações. É ai que entram as personagens dos pais como alvos para seus filhos, não só falando como deve ser feito, mas acima de tudo mostrando como fazer e fazendo-se presentes em suas vidas.
Por fim, educar é também frustrar; é dizer não e contrariar a vontade do filho, quando necessário. Não há como escapar disso, sob pena de o próprio filho sofrer as consequências em sua saúde física e mental. Não há como ser bom pai ou boa mãe só esperando serem amados por seus filhos. É preciso, muitas vezes, suportar a frustração de ser odiado por seu filho num dado momento, para o próprio bem dele no futuro, ainda que isso, na maioria das vezes, custe muito caro aos corações dos pais e mães. Pois, "Acreditar que basta ter filhos para ser um pai é tão absurdo quanto acreditar que basta ter instrumentos para ser músico." (Mansour Chalita); "É na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais." (Coelho Neto)
Professor Nilton Carvalho é teólogo, historiador e pós-graduado em educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás-(PUC). ndc30@hotmail.com; http://historiaeculturandc.blogspot.com/; http://reformaortografica2009puc.blogspot.com

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Catedral da Família perde uma de suas estrelas: Paula de Paula e Silva


No último dia 27/06/2010 tive o prazer de ser convidado por meu amigo Davi Rolembergg para participar de uma reunião da Igreja Catedral da Família presidida pelo casal de pastores Pr. Salmo Diomar e Prª. Cássia Vilela na Alameda Ricardo Paranhos nº 728 Setor Marista nesta Capital. Igreja esta que me tornei membro imediatamente, pois se trata de uma família que exerce o papel social da Igreja, papel este outorgado por Jesus Cristo. Foi amor à primeira vista, coisa de adolescente, fico feliz por isso.
Conheci vários projetos sociais e para a família, desenvolvidos pela Instituição. Projetos como, por exemplo, a ABM (Associação Beneficente Manancial) onde a adorável Paula de Paula e Silva, vitima de latrocínio no último dia 02/07/2010 atuava como voluntária. Contudo, ao chegar ao Templo fiquei meio perdido por estar bastante cheio. Como gosto de musical, fui para as primeiras fileiras assisti ao culto que foi muito bom. Pouco tempo depois de mim, chegou uma moça muito formosa que me pediu para sentar-se na vaga que havia ao meu lado, era ela! Paula de Paula e Silva.
Foi muito atenciosa comigo durante o culto, até lhe ajudei na procura de algumas referências bíblicas. Após o culto ficamos um pouco mais íntimos, já que eu estava ali pela primeira vez. Ela prontamente ajudou-me a encontrar meu amigo Davi Rolembergg, conversamos mais alguns minutos e fomos embora, contudo ela foi comigo em minhas lembranças, pelo seu encanto e cristandade.
Paula era alguém que veio a este mundo para brilhar e brilhava na Catedral da Família. Era boa filha, ótima cristã e um ser humano humilde e solidário que foi ceifada sem piedade por marginais que não sabem o que é amar. Em Paula existia uma porção de Deus que com ela foi para o porvir. Nos marginais existe uma erupção de maldade que com eles continuará por aqui fazendo atrocidades e destruindo vidas tão lindas como era a de Paula de Paula. Ela louvava a Deus aqui na terra no Coral da igreja; os marginais “louvam as trevas” aterrorizando e ferindo corações e vidas inocentes como ela e todas as suas vítimas, pois todos eles segundo matéria aqui do DM são marginais perigosos com vários crimes e homicídios. Paula exalava vida e esperança, os marginais disseminam morte e incredulidade.
Uma pergunta fica pulsando em nossos corações: até quando bandidos destruirão pessoas tão lindas como Paula de Paula? Pessoas como a publicitária Polyanna Arruda Borges, o jovem Higor Bruno Borges assassinado em uma boate de Goiânia, a adolescente de 18 anos, baleada na cabeça e estuprada na manhã de segunda-feira (21), quando seguia para a escola na companhia da irmã de 17 anos que também foi estuprada e tantas outras vítimas que projetam suas vidas e são violentamente arrancadas das suas famílias por verdadeiros monstros impiedosos e prontos para matar que o único projeto que possuem é o crime, mas por opção, pois se quiserem mudança existe, mas é se quiserem, eles querem?
Estamos em um ano eleitoral e não vemos dos pré-candidatos nenhum projeto para acabar com a impunidade. O maior país cristão do mundo que é os Estados Unidos tem leis severas e tolerância zero com os criminosos, pois eles conhecem o coração dos bandidos e sabem que neles não há piedade. Sendo cristãos conhecedores das Escrituras Sagradas são maduros para reconhecer o valor da vida e punir severamente o criminoso.
A você Paula de Paula fica nossa esperança de um dia poder te encontrar e te abraçar novamente. A nós fica a esperança de dias melhores e sem violência, fica ainda a torcida pelo fim da impunidade, pela criação de leis severas, melhores e maiores investimentos em educação secular e religiosa para nossas crianças e jovens com o intuito de um futuro de paz e amor. Amamos-te muito Paula de Paula e Silva, resta-nos pedir a Deus para reparar a perda e preencher o vazio deixado por você, brilhe ai de cima ao lado do Pai. Pois, “o único consolo que sinto ao pensar na inevitabilidade da minha morte é o mesmo que se sentem quando o barco está em perigo: encontramo-nos todos na mesma situação” (Léon Tolstoi). Porém, o homem pode tirar a vida, mas Jesus a dar de volta de uma forma que nem o homem nem ninguém poderão tomá-la novamente, pois nada nos separará do amor de Deus.


Nilton Carvalho é cabeleireiro, professor, teólogo, historiador e pós-graduado em educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás-(PUC). ndc30@hotmail.com; http://historiaeculturandc.blogspot.com/





quarta-feira, 30 de junho de 2010


África do Sul um pequeno País uma Grande História

Estamos vivendo um momento mágico para os amantes do futebol, a Copa do Mundo que tem como sede nesta edição a África do Sul. Mas o que sabemos sobre este País de paisagem exuberante, fauna e flora ricas e de tantas injustiças sociais? Pena ser pouco o espaço para tanta informação, mas vejamos algumas mais importantes. O que se sabe sobre o habitante mais antigo do território que mais tarde seria chamado de África do Sul vem de teorias de antropólogos, que o chamam de hominídeo, precursor de espécies mais evoluídas como o homo habilis, homo erectus e homo sapiens. Em 1947, fósseis de hominídeos de três milhões de anos de idade foram descobertos nas cavernas Sterkenfontein Caves, perto de Krugersdorf, a oeste de Johanesburgo.
O homem moderno apareceu no cenário há três mil anos. O povo africano Khoisan, que vivia na região norte de Botsuana, abriu mão da caça para criar gado, atividade que os outros africanos já estavam aprendendo. Eles chamavam a si mesmos de Khoikhoi, o significa homens dos homens, e se referiam aos que permaneceram caçadores como San. Não havia fronteiras naquela época e os dois grupos, Khoikhoi e San, povoaram as terras.
Os primeiros navegadores europeus, portugueses principalmente, chegaram à África do Sul no século XV. Diogo Cão alcançou à costa sul-africana em 1485 e em 1488 foi à vez de Bartolomeu Dias.
Em 1652, quando a Companhia das Índias holandesa se instalou permanentemente na Cidade do Cabo, a colonização não estava em primeiro plano. O navegador português Bartolomeu Dias tinha dado a volta na região do Cabo e chegado a Mossel Bay em 1488, enquanto outro explorador português, Vasco da Gama, tinha descoberto a rota para a Índia, passando pelo Cabo, em 1497. Como a Cidade do Cabo era um porto conveniente para quem vinham e iam para o ocidente, os holandeses enviaram o comandante Jan van Riebeeck para o local, onde ele se desentendeu com os Khoikhois. Ele declarou guerra ao povo Khoikhoi e aprisionou seus líderes em Robben Island, dando início ao período histórico de colonização. Os primeiros colonizadores brancos levavam suas vidas em pequenas fazendas na Cidade do Cabo, onde se alimentavam de carne e bebiam vinho.
As colônias se espalharam pelas montanhas e chegaram rapidamente aos pastos secos do interior. Em 1688, os Hughenots, um grupo de 220 protestantes franceses que tentavam escapar da perseguição religiosa, chegaram ao território e introduziram os conhecimentos para o cultivo da uva.
A História do país, propriamente dita, começa no século XVII com a ocupação permanente da região do Cabo da Boa Esperança pelos holandeses. Em 1909, a União das Colônias Britânicas de Cabo, Natal, Transval e Orange River origina a nação da África do Sul. De 1948 a 1993/1994, a estrutura política e social é baseada no Apartheid, o sistema legalizado de discriminação racial que manteve o domínio da minoria branca nos campos político, econômico e social.
Em 1983, é adotada uma nova Constituição que garante uma política de direitos limitados às minorias asiáticas, mas continua a excluir os negros do exercício dos direitos políticos e civis. A maioria negra, portanto, não tem direito de voto nem representação parlamentar. O partido branco dominante, durante a era do Apartheid, é o Partido Nacional, enquanto a principal organização política negra é o Congresso Nacional Africano (ANC), que durante quase cinquenta anos foi considerado ilegal.
Mais tarde, em 1990, sob a liderança do presidente F. W. de Klerk, o Governo sul-africano começa a desmantelar o sistema do Apartheid, libertando Nelson Mandela, líder do ANC, e aceitando legalizar esta organização, bem como outras anti-Apartheid. Em 1993, o Governo e a oposição negra acordam nos mecanismos que garantam a transição para um sistema político não discriminatório. É criado um comitê executivo intermediário, com maioria negra, para supervisionar as primeiras eleições multipartidárias e multirraciais que garantam o fim do Apartheid.
Em Abril de 1994, fazem-se eleições multirraciais para o novo Parlamento o ANC ganha às eleições e Nelson Mandela, formando um Governo de unidade nacional, torna-se o primeiro Presidente sul-africano negro. Em 2004, ano em que Thabo Mbeki completou cinco anos como sucessor de Nelson Mandela, o Presidente da República da África do Sul prometeu acabar com toda a violência de caráter político que ainda possa existir no país. Torcemos por isso.

Nilton Carvalho é cabeleireiro, professor, teólogo, historiador e pós-graduado em educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás-(PUC). ndc30@hotmail.com; http://historiaeculturandc.blogspot.com/

sexta-feira, 25 de junho de 2010


Discrepâncias entre o professor e o político
“Eu quero investigar se pode haver, na ordem civil, alguma regra administrativa, legitima e segura, que tome os homens tais como são e as leis tais como podem ser”. Estas são as primeiras palavras de Jean-Jacques Rousseau em seu livro intitulado Do contrato sócia. Rousseau propõe refletir sobre as vias para dar-se forma a uma comunidade política que tenha as suas bases assentadas num poder político passível de ser considerado legítimo. Sendo o poder desta natureza, a sociedade haveria de fazer-se bem ordenada e assegurar a cada homem os meios de desfrutar da maior felicidade possível, tendo os recursos necessários para aprimorar-se integralmente em seu nível mais elevado.
Felicidade aqui significa dizer que o Estado cuidará do cidadão como seu verdadeiro filho. A imagem de pai diz que “[...] existe um homem que se esforça no cumprimento do dever para dar bom exemplo. Que fica humilde, quando poderia se exaltar. Que chora à distância, a fim de não ser observado. Que, com o coração dilacerado, se embrutece para se impor como juiz inflexível. Que apenas fisicamente passa o dia distante, na luta por um futuro melhor. Que, ao fim da jornada, avidamente regressa ao lar para levar muito carinho, e, às vezes, receber tão pouco” (trechos da poesia “Imagem de Pai” de Rivalcir Liberato). O Estado então como o pai que é o símbolo de segurança e provisão para seus filhos deve segundo Rousseau, proporcionar a todos os cidadãos saúde, educação e segurança com qualidade. O que não se podem perceber no Brasil quando o assunto é felicidade do cidadão.
A equação do problema colocado pelo texto e que decorre, na verdade, de um minucioso diagnóstico efetuado em obras anteriores, principalmente no Discurso sobre a desigualdade, passa pela realização de um pacto social legítimo. É esse pacto, com o qual os indivíduos alienam simultaneamente todos os seus direitos para o conjunto da comunidade de contratantes, que permitirá o advento da sociedade bem ordenada. Nessa ordem ideal, que floresce por meio deste artifício, os homens encontram a sorte de retomar a liberdade e a igualdade, vendo-se subordinados unicamente à lei cuja prescrição é feita por eles mesmos.
Tudo isso numa comparação entre um professor que no Brasil tem média de formação e formação continuada de nove anos (não confundir com formação básica que compreende: educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) e salários médios de R$ 950.00, e um político que tem em média a educação fundamental e média salarial de R$ 11.545.00 por minuto e R$ 39.000.000.00 por ano (fonte: http://brasigo.com.br/perguntas/salario-do-politico-do-brasil-o-maior-do-mundo-e-justo), no contexto da Constituição Federal, não concorreria de modo algum a favor daquele que é considerado o Mestre.
Quando a Carta Magna coloca lado a lado os dois cidadãos, pode-se apostar que o fim do relato inverterá as dignidades implicadas no início. Pois, por intermédio dos professores vários “homens sagrados” (Vereadores, Prefeitos, Deputados, Senadores e Presidentes) reforçaram seus ofícios e “funções vocacionais na execução de seus respectivos ministérios”.
A obra de Rousseau colocada em pauta de discussão a maioria dos tratados clássicos de semelhante gênero, já que se divide em quatro livros, apresentando, por assim dizer, duas ordens de problemas. A primeira ordem estaria centrada em buscar os fundamentos do poder político legítimo, encontrando-se disseminada em especial no livro um, apesar de se estender claramente até o livro dois; a segunda procura refletir mais sobre o plano prático, sobre a esfera de funcionamento da máquina do Estado, delineando, sobretudo nos livros três e quatro, ainda que subsídios para isso sejam lançados também no livro dois em seu ponto próximo de seu fechamento, a instância administrativa, a dimensão institucional em termos concretos, de semelhante engenho que nós mesmos estabelecemos.
Por fim, seria bom que a população brasileira conhecesse obras assim e cobrassem dos políticos explicações sobre as discrepâncias existentes entre professores e políticos, e os seus salários. Haja vista a importância de um político para a sociedade que é pífia em relação a importâncias dos professores e outros trabalhadores. Por que o político tem direito a tanto (vale-roupa, vale-carro, vale-casa e outros) e o cidadão a tão pouco? O professor se quer tem direito a estudar mais e melhor para se qualificar. Pense nisso leitor.
Nilton Carvalho é cabeleireiro, professor, teólogo, historiador e pós-graduado em educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás-(PUC). ndc30@hotmail.com; http://historiaeculturandc.blogspot.com/

quinta-feira, 8 de abril de 2010

As mulheres da Bíblia que superaram o antropocentrismo

Uma comparação entre homem e mulher no contexto das escrituras, não concorreria de modo algum a favor daquele que é considerado forte. Quando a Bíblia coloca lado a lado os dois sexos, pode-se apostar que o fim do relato inverterá as dignidades implicadas no início.
Mulheres que executaram duplamente atos masculinos tanto pelo sexo quanto pelo poder, como, por exemplo, Sara de Abraão, Rebeca de Isaac, Raquel de Jacó, Raab a prostituta de Jericó, Ana mãe de Samuel, Rute nora de outra grande mulher Noemi, Judite, Susana, Débora e Vasti esposa de Assuero que se negou dançar para a corte e para o Rei, haja vista estarem embriagados, mantendo-se em posição de honra.
Doravante, observam-se alguns casos específicos.
Tem-se na Bíblia àquela que pode ser considerada uma das maiores heroínas da narrativa bíblica, “Ester” que era órfã, escrava e cativa na Pérsia. Ester viveu em um contexto de desprezo em que eram mantidas as mulheres, consideradas de musculatura mais flácida que a do homem, da assimetria suposta entre homem e mulher, da sexualidade e, sobretudo, da impureza periódica que a assimilava a seres lunares e maléficos. Porém, ela soube contornar as situações embaraçosas e constrangedoras do contexto social, religioso, político e cultural em que vivia.
No entanto, a história de Ester é inicialmente idílica. Ester uma judia comum, torna-se rainha como nos contos de fada. Os ingredientes são promissores: um palácio oriental, eunucos e um harém, um rei que escolhe uma moça humilde, elementos suficientes para escrever muitas páginas de histórias como As Mil e Uma Noites, sobre esta heroína.
Mas o que interessa é que Ester chegou à posição de rainha da Pérsia após ser escrava, como lucro, livra seu povo do genocídio anunciado. Ester não se corrompeu devido tantos problemas e, foi recompensado com a glória de seu reinado. Ela é lembrada todos os anos pelo judaísmo uma das religiões mais antropocêntrica e patriarcal do mundo, na Festa do Purim, onde se comemora a salvação dos hebreus condenados ao extermínio por Amã o Vizir malvado que odiava seu povo.
Outra grande mulher é Maria mãe de Jesus, que sofrera o constrangimento de uma gravidez ainda no período de seu noivado com José, por consequência disso José pensou abandoná-la, pois não suportava os falatórios difamadores sobre Maria, só a partir de uma visão divina é que ele a assumiu integramente. Mesmo assim, Maria após ficar viúva criou sozinha até a morte todos os seus filhos.
Maria Madalena, que fora condenada por homens malvados, mas absorvida por um homem doce, meigo e acolhedor, onde este fez seus acusadores entrarem numa introspecção dos próprios pecados e, outras tantas mulheres que demonstraram o quanto a mulher é importante para o contexto social e não só para atender aos caprichas machistas. Na Bíblia a mulher nunca é vista como uma facção. Não se pode vê-la conspirar. Está sempre sozinha e, dará nas vertentes do Gólgota a prova de sua incapacidade, inapta a formar corpos constituídos.
Todas essas mulheres vivem numa solidão que contrasta vivamente com as capacidades masculinas. No entanto, com o surgimento do Cristo, a mulher do evangelho diferentemente da do Antigo pacto, vive uma inversão das Bem-aventuranças: pobre, é considerada rica; fraca, poderosa; inculta, revela-se profetiza; culpada, tem gestos de santidade; rebelde ela crê.
Cristo não a metamorfoseou, simplesmente tornou a verdade mais forte do que a aparência, onde Jesus colocou-se ao lado delas, mas não somente para socorrê-las, também para receber delas colaboração, afeto, companhia e até mesmo sustento financeiro, as quais lhes prestavam assistência com seus bens.
Por último, seu isolamento, sua humanidade, a rapidez de sua adesão, opõe-nas à casta desprezível dos fariseus. Defendê-las para Cristo equivalia a atacar o adversário. A mulher sempre foi uma grande companheira e auxiliadora do companheiro ou do homem em si, no contexto bíblico, no entanto a cultura judaico-cristão-patriarcal, “nunca abriu os olhos”, para enxergar tamanha realidade patente, cabendo, então, a nós educadores a responsabilidade de trazer isso à tona.


Nilton Carvalho é cabeleireiro, professor, teólogo, historiador e pós-graduando em educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás-(PUC). ndc30@hotmail.com; http://historiaeculturandc.blogspot.com/
Jesus Cristo: o meigo educador celeste

Ao longo da história, muitas pessoas conseguiram com suas idéias mudar o curso da política, da filosofia, da ciência, da educação, da cultura, da própria história ou da religião.
Pessoas essas que deixaram enormes legados para a cultura, dentre vários podemos citar alguns como: Rousseau, Pestallozzi, Dewey, Ferrière, Cousinet, Neill, Rogers, Vygotsky, Robin, Montessori, Piaget e Paulo Freire. Estes estudiosos e pesquisadores de várias áreas do saber como a Psicologia, Biologia, Medicina, Filosofia, Educação e Antropologia, contribuíram em muito para que a pedagogia avançasse. Todos, de alguma forma, têm lugar no campo pedagógico, incluindo Piaget com seus trabalhos sobre a gênese do desenvolvimento e do raciocínio, Vygotsky com sua importante teoria Histórico Cultural de construção de conhecimentos e Paulo Freire com sua pedagogia do oprimido que mostra a opressão contida na sociedade e no universo educativo, em especial na educação/alfabetização de adultos. Aonde a opressão é apresentada como problema crônico social, visto que as camadas menos favorecidas são oprimidas e terminam por aceitar o que lhes é imposto, devido à falta de conscientização, sem buscar realmente a chamada Pedagogia da Libertação.
Uns construíram teorias propriamente ditas, outros aplicaram estudos e observações diretamente no campo pedagógico, mas, sem dúvida, todos foram estudiosos que deixaram marcas na educação.
Contudo, houve um homem, que foi capaz não só de abalar os alicerces do pensamento como de alterar para sempre a trajetória da humanidade. Esse homem foi Jesus Cristo e seus ensinamentos geram frutos há mais de dois mil anos. Suas incomparáveis inteligência e personalidade tornaram-no o perfeito ponto de partida para um modelo de educador, pois desde o início de seu ministério ele provou uma surpreendente capacidade de superação. Conhecido como O Mestre dos Mestres, sua inteligência, sua didática e o domínio que detinha da sua “disciplina” para ensiná-la, eram bem mais grandiosas do que imaginamos.
Sob o ponto de vista da psicologia, temos em Jesus Cisto um fascinante estudo do comportamento, iluminando os aspectos mais notáveis de suas atitudes. Quando se esperava que ele falasse, ele silenciava; quando se imaginava que ele puniria, então, ele perdoava; quando se achava que ele ostentaria seus feitos, mostrava-se humilde. Quando soube que seria preso, em vez de fugir, Jesus entregou-se ao destino e à morte. Ele viu de perto a fome, a miséria e a dor, mas manteve-se firme em seus propósitos. Tamanha era sua capacidade de gerenciar as emoções que, apesar das inúmeras provações por que passou, Jesus tornou-se o símbolo maior da esperança, do amor, da dignidade e da compaixão. Ensinando a todos nas Sinagogas, nas casas e nos montes da Judéia, da Galiléia e de toda a Palestina o caminho das bem aventuranças àqueles que eram marginalizados, excluídos e escravizados pelo Império Romano e pela religião oficial do Templo de Jerusalém.
Não importam quais sejam suas crenças, sua religião, posição social ou condição financeira, a mensagem de Cristo é universal e fala ao coração de todas as pessoas. Lembrando que eu mesmo não sou religioso, mas creio em Jesus e em sua mensagem. Vejo então no meigo educador uma capacidade muito grande de ensinar, ele é aquele que os teóricos da educação vão chamar de professor acolhedor, que tem como principal característica ouvir o que seus alunos querem dizer acolhendo-os e, ao mesmo tempo, exigindo melhoras, impondo-lhes limites e cobrando-lhes responsabilidades.
Jesus mesmo, não produziu nenhuma obra biográfica ou literária, mas escritores que foram testemunhas oculares de suas obras ou discípulos de quem foram, pesquisaram e escreveram sobre seus ensinamentos e suas práticas. Jesus era um educador apaixonado pelos seus alunos, o seu intento era dar-lhes a cura para a alma, mas também para o corpo físico. Várias vezes as multidões foram alimentadas com pão material, mas também com pão para a alma “o conhecimento.” Curou também por vezes o corpo físico das enfermidades, porém, curou também a alma com o remédio do saber. Certa feita declarou que as pessoas erram por não conhecer e por ignorar o conhecimento.
O meigo educador celeste nos trouxe a maior das lições e dos ensinamentos que é o “amor.” Quando lemos os ensinamentos do mestre vemos que ele é dotado de uma inteligência suprema e que usou ferramentas para educar a todos, pois seus ensinamentos oxigenaram e continua oxigenando as mentes em direção à sabedoria desta vida e também para quem crer em sua “pedagogia” para a vida no porvir.
Por fim, os fundamentos pedagógicos do ensino de Jesus estão na sua concepção de mundo, abrangendo o homem e a vida. Essa cosmovisão se opõe à concepção greco-romana da época e à concepção judaica. Jesus, assim, não é apenas um reformador religioso, mas um filósofo na plena acepção da palavra. Ele modifica com seus ensinamentos a visão antiga do mundo e essa modificação atinge a todas as filosofias do tempo, não obstante os pontos de concordância existentes com várias delas. Bastaria isso para nos mostrar, à luz da Ciência da Educação, a legitimidade da tese que inclui Jesus entre os grandes educadores e pedagogos, colocando-o mesmo à frente de todos. Não se trata de uma posição religiosa, mas de uma constatação pessoal. Como disse o Mestre amado: "Reconheça o que está ao alcance dos seus olhos, e o oculto tornar-se-á claro.” E outro grande educador arremata: "Não se pode falar de educação sem amor” (Paulo Freire).

Nilton Carvalho é professor, teólogo, historiador e pós-graduando em educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás-(PUC). ndc30@hotmail.com; http://historiaeculturandc.blogspot.com/

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

AVATAR: UMA GRANDE LIÇÃO DE RESPEITO AO OUTRO (II)

AVATAR: UMA GRANDE LIÇÃO DE RESPEITO AO OUTRO (II)


No dia 17/01/2010 o filme mais caro da história arrecadou os principais prêmios da 67ª edição do Globo de Ouro em Los Angeles realizada ao longo de um jantar no Hotel Beverly Hilton, esta foi à noite que consagrou "Avatar" definitivamente. O épico em 3D que vem fazendo história nas bilheterias recebeu dois prêmios, o de melhor filme-drama e melhor direção para James Cameron. Ao receber de Julia Roberts a última estatueta da noite, o cineasta deu um recado aos críticos de seu longa-metragem. "Este é o melhor emprego do mundo. Fazemos entretenimento para o público, e é disso que o Globo de Ouro precisa.” James Cameron não nos é muito popular como são os cineastas Steven Spielberg, George Lucas, Roberto Benigni, Jean-Jacques Annaud e nossos brasileiros Bruno Barreto e Walter Salles, a não ser o fato de que ele dirigiu Titanic, o filme de maior bilheteria da história do cinema e convenhamos por isso só ele já merece certo respeito, gostando alguém ou não do filme. Considerada a segunda maior premiação da temporada, o Globo de Ouro também premiou há 12 anos "Titanic", o trabalho anterior de Cameron, nas mesmas categorias, e o filme repetiu o feito no Oscar. A dobradinha pode acontecer de novo em 2010.
Cameron quis filmar essa história desde 1999, logo após Titanic, só que naquela época os efeitos especiais que ele desejava utilizar eram muito caros e o orçamento ultrapassou os $400 milhões de dólares! Nenhum estúdio em sã consciência gastaria uma fortuna dessas em um único filme. A maioria do filme (60%) é feita em computador usando captura de movimentos, animação gráfica etc. Cameron só teve certeza que a tecnologia já estava desenvolvida o suficiente para tornar o seu filme realidade quando viu o personagem de Gollum no filme do Senhor dos Anéis, em 2002. Todavia, na primeira parte deste artigo temos mais detalhes técnicos do filme a quem interessar é só ir no www.dm.com.br edição do dia 02/01/2010 página 14.

Doravante, vamos devagar pelo campo da hipótese e do transcendental, haja vista, a maioria dos seres humanos terem dentro de si algo que transcende o limite da experiência possível. E isso parece querer mostrar Cameron com a lição de respeito e amor à vida que os Na’vi nos dão. Eles adoram uma deusa (Owua), adoram a natureza e todos os seres, compreendendo a tudo e todos e aprendendo a senti-los. Quando um animal é morto para a alimentação, por exemplo, agradecem ao espírito dele por dar-lhes seu corpo. De uma forma surpreendente, as tecnologias avançadas do homem, robôs, naves, armas, são colocadas em contraste com a bela natureza de Pandora, plantas coloridas, belos animais, uma cultura voltada para sua deusa e para a natureza. Assim, é claro, qualquer um ficaria contra aqueles humanos destruindo a fauna e flora daquele planeta. O problema é: não pensamos como a situação se repete aqui, na Terra. Só que há poucos para lutar por ela.

O cerne do filme é como Cameron mostra a evolução tecnológica do ser humano, mas ele ainda continua como se estivesse habitando as velhas civilizações desalmadas e desumanas da antigüidade. A tecnologia avança a todo vapor, mas a moral humana parece retroagir aos tempos mais remotos da humanidade. Provavelmente inspirado por Deus (divago aqui) Cameron faz uma metáfora, mas deixando claro que será em um futuro longínquo ainda (pois Avatar se dá em 2156) dos prováveis “Avatares” que por aqui passaram e quiseram nos ensinar a amar e viver em sintonia com Deus, com a natureza e com o outro. Pois, em quase todas as crenças somos como em Avatar; somos espíritos que habitam um corpo corruptível por um determinado tempo, esse corpo é só uma casca. Esses “Avatares” foram os Filósofos gregos, Jesus Cristo, Zaratrusta, Mahatma Gandhi, Buda, Martin Luther King, João Paulo II, Alziro Zarur, Francisco Candido Xavier, Irmã Dulce, Madre Tereza de Calcutá, Zilda Arns etc., eles existiram e vieram a Terra com o firme propósito de auxiliar a humanidade rumo à evolução, esse evoluir estar explícito em Avatar. Ele começa com o novo mandamento de Deus à humanidade dado por todas essas pessoas que é “AMAR”.

Outros “Avatares” continuam aqui entre nós, tais como: José de Paiva Neto, Dalai Lama, Padre Zezinho, Frei Beto etc., nos ensinando uma melhor vida. No filme, os seres humanos atrasados e maus, levaram o terror, a dor e a morte para os Na’vi. Estes espíritos estão aqui na terra também, nos trazendo toda sorte de desgraças, eles habitam as nossas casas, empresas, ruas etc., são pessoas (espíritos) que trouxeram consigo dos mundos que habitavam às piores personalidades e condições morais que se imaginam. Olhem os realitys shows que estão passando ai nas nossas TVs, os criminosos que são presos todos os dias, quantas pessoas bizarras (não todos), sem princípios familiares, sem amor, depravadas, psicossomaticamente doentes, bem diferente daquilo que exige nossa evolução e do que propõe Avatar, pois, “Reparte o amor aonde fores: primeiro, na tua própria casa. Dê amor aos teus filhos, à tua mulher ou ao teu marido, depois na porta do vizinho. Que quem precise de ti saia melhor e mais contente. Seja a expressão viva da bondade de Deus; bondade em teu rosto, bondade em teus olhos, bondade em teu sorriso, bondade na tua amável saudação”. (Madre Teresa)





Nilton Carvalho é cabeleireiro, professor, teólogo, historiador e pós - graduando em educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC). ndc30@hotmail.com; http://historiaeculturandc.blogspot.com/

O equivoco imperial que perdura até hoje

O equivoco imperial que perdura até hoje

Antes de mais, quero deixar claro que como estudante que sou escrevo sobre este tema tecnicamente, não é nada pessoal contra ninguém. Não quero também generalizar sobre o assunto, até porque mexerei profundamente com o ego e a vaidade de muitos. Contudo, como educador e estudante de pós-graduação que sonha ser doutor um dia, sei das dificuldades, gastos altíssimos, longos períodos de pesquisas, concorrência com outros candidatos, estudos etc., que um postulante a doutor enfrenta para obter tal titulação e honra. Por isso cansei de ver alguns bacharéis em direito, médicos e outros profissionais das respectivas áreas se autodenominando “Doutores” (como disse antes, alguns), sem ter passado pelo árduo processo de doutoramento. Muitos deles nem conhecem os critérios para se adquirir tal título. Há todo um processo de seleção tal como: Projeto de Pesquisa em três vias impressas, contendo: A) Resumo; B) Justificativas intelectuais e acadêmicas do tema e da linha de pesquisa à qual o (a) candidato (a) pretende se vincular (relevância científica); C) Objetivos problemáticos: hipóteses; D) Fundamentação bibliográfica e teórica do tema proposto; E) Metodologia de trabalho; F) Fontes de pesquisa: descrição e relações com o tema proposto; G) Bibliografia condizente com a temática; H) Carta dirigida à Coordenação da Instituição, justificando a escolha da linha de pesquisa. I) Currículo Lattes - CNPq atualizado com documentos comprobatórios anexados e numerado de acordo com a descrição das atividades desenvolvidas; J) Histórico Escolar da Graduação e Diploma de Curso Superior; L) Prova de proficiência em língua estrangeira, sendo duas línguas estrangeiras para os candidatos ao Doutorado etc., etc., etc. Eis aqui um pouquinho do processo que se deve enfrentar para ser doutor, ai uma meia dúzia de hipócritas ficam se passando por doutores para os menos desavisados, mas afinal onde isso tudo começou?
O título de doutor foi concedido aos advogados por Dom Pedro I, em 1827. Título este que não se confunde com o estabelecido pela Lei nº 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), aferido e concedido pelas Universidades aos acadêmicos em geral. A LDB traça as normas que regem a avaliação de teses acadêmicas. Assim, para uma pessoa com nível universitário ser considerada doutora, deverá elaborar e defender, dentro das regras acadêmicas e monográficas, no mínimo uma tese, inédita. Provar, expondo, o que pensa. Vejamos um pouco do que diz a LDB 9.394/96: Art. 44. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas:
III - de pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamento e outros, abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino;
Então, conforme o item III do Artigo 44 da LDB, o doutorado compreende uma pós-graduação, por isso todo aquele que se diz doutor obrigatoriamente deverá ter feito um doutoramento que é uma pós-graduação Strictus Sensus, caso contrário estará portando um título fictício de doutor.
Contudo, o equivoco vem a partir da Lei do Império de 11 de agosto de 1827 que “cria dois cursos de Ciências Jurídicas e Sociais; introduz regulamento, estatuto para o curso jurídico; dispõe sobre o título (grau) de doutor para o advogado”. A referida Lei possui origem legislativa no Alvará Régio editado por D. Maria I, a Pia (A Louca), de Portugal, que outorgou o tratamento de doutor aos bacharéis em direito e exercício regular da profissão, e nos Decreto Imperial (DIM), de 1º de agosto de 1825, pelo Chefe de Governo Dom Pedro Primeiro, e o Decreto 17.874A de 09 de agosto de 1827 que: “Declara feriado o dia 11 de agosto de 1827”. Data em que se comemora o centenário da criação dos cursos jurídicos no Brasil. Os referidos documentos encontram-se microfilmados e disponíveis para pesquisa na encantadora Biblioteca Nacional, localizada na Cinelândia (Av. Rio Branco) – Rio de Janeiro/RJ. Contudo, isso é parte de nossa história, o “jeitinho brasileiro” dos tempos de Império, não pode valer ainda hoje, não vivemos mais uma Monarquia. Somos um Estado Republicano, a Carta Magna pela qual somos regidos é a Constituição de 1988, e não a Primeira Constituição do Brasil que foi redigida no dia 25 março de 1824, escrita pelo arquivista das bibliotecas reais, o Sr. Luíz Joaquim dos Santos Marrocos. Ou seja, aquele que defende tal absurdo ainda não se deu conta que sua tradição imperial é uma ofensa à República Federativa do Brasil e aos princípios republicanos.
Em contraposição ao falso título de doutor o Conselho Federal de Medicina coloca claramente a questão a partir do site via6 (http://www.via6.com/topico.php?tid=106555) esclarecimento feito pelo Sr. Plinio Marcos Moreira da Rocha, “Quando a sociedade formalmente organizada como o CFM e os CRM orienta de forma clara e objetiva a postura dos médicos em cumprimento aos conceitos e preceitos legais, temos prova cabal, de que vivemos em uma sociedade justa, fraterna e acima de tudo íntegra de seus valores morais e éticos. Quando o CFM instituiu a utilização de crachás pelos médicos, ratificando que todo médico tem o dever de esclarecer seus pacientes sobre quaisquer dúvidas a cerca de sua qualificação, quando especificou que no crachá deverá constar o nome completo e a denominação médico. Não é raro presenciar um médico esclarecendo a um paciente que o chama de “doutor” no sentido de que ele não é doutor e sim médico. Pensando e repensando esta questão, não consegui me lembrar de nenhum momento que tenha presenciado um médico tratar outro médico como doutor, será que o imperador apenas outorgou o título de doutor aos advogados (apesar da OAB só reconhecer aos causídicos, muito embora, bacharel também seja advogado)?
Realmente, a postura profissional e pessoal da classe médica sempre foi de respeito ao coloquial doutor e ao título de doutorado, talvez por isso, a clara posição do CFM não tenha provocado nenhum problema aos médicos. Se observarmos bem, quando um advogado (bacharel ou causídico) chama outro advogado de doutor, sendo que ambos não possuem curso de doutorado, o faz na postura imoral, presunçosa, vaidosa de sem mérito, isto é, chamo-o para também ser chamado. Volto a registrar meu pesar pela conduta imoral da OAB em persistir numa posição dúbia que leva alguns advogados (bacharéis ou causídicos) a se arvorarem efetivamente como doutores, como se lei alguma os pudesse alcançar”.
É muito bom ler alguém assim tão esclarecido e ético acima de tudo, até porque não vivemos mais sob uma Monarquia absolutista dos Bragança e Orléans, nem somos regidos mais pelo Direito Consuetudinário que é o complexo de normas não escritas originárias dos usos e costumes tradicionais dum povo, direito costumeiro ou tradição somente, muito em voga na Idade Média. Mas estamos no pleno gozo da Democracia e da República com o advento da Constituição Federativa do Brasil de 1988, verifica-se uma nova etapa na evolução política do País, incorporando-se ao ordenamento jurídico pátrio as idéias e princípios universais do Estado Democrático de Direito. Por fim, duas celebres frases sobre a falsidade: "A falsidade é suscetível de uma infinidade de combinações; mas a verdade só tem uma maneira de ser." (Jean-Jacques Rousseau); "Tudo que é falso, é ruim, até mesmo a roupa emprestada. Se seu espírito não combina com a sua roupa, você está sujeito à infelicidade, porque é desta maneira que as pessoas se tornam hipócritas, perdendo o medo de agir mal e de dizer mentiras." (Ramakrishna)

Nilton Carvalho é professor, teólogo, historiador e pós - graduando em educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC). ndc30@hotmail.com; http://historiaeculturandc.blogspot.com/

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Quando a ética e a honra vencem o status quo

         Antes de mais, se faz necessário uma sinopse do filme Código de Honra (School Ties), que aqui é nosso objeto inspirador, o filme tem como diretor Robert Mandel, que foi muito criticado pelos especialistas em cinema, contudo, este filme é a prova de que um bom roteiro, mesmo sem um grande diretor, consegue sair um bom filme. Enfim, nos anos 50, David Greene (Brendan Fraser) é um garoto judeu de família simples que consegue entrar numa escola particular de prestígio. Apesar de não ser rico é aceito pelos colegas, graças a sua simpatia ganha respeito com seu desempenho no time de futebol. Porém, ele acaba se deparando com pessoas extremamente preconceituosas, fazendo-o esconder suas origens judias, assim ele constrói amizades se tornando bastante popular no local. Torna-se o quarto zagueiro titular, apaixona-se por uma garota, o que lhe custará muito caro. Pois, Charlie Dillon (Matt Damon) era o então titular quarto zagueiro, e ainda dizia para todos namorar a garota que David se apaixonara. Contudo, quando descobrem que ele é judeu, seu mundo desaba, os novos amigos e a namorada se afastam e um forte antisemitismo se faz presente na escola de Saint Matheus. A história engrossa ainda mais quando um professor encontra o papel de uma cola durante uma prova. Este é o motivo do título do filme, código de honra é um documento que todos assinam garantindo que não vão colar, tanto é que o professor sai da sala na hora da prova. No entanto, o que se vê no drama é que as pessoas que se dizem honradas são capazes de cometer as maiores injustiças com os verdadeiros honrados. David sabe de quem é a cola, mas os outros alunos cogitam jogar a culpa em seus ombros. O filme que é de 2002, conta com vários rostos que começavam a ganhar espaço em Hollywood, como Brendan Fraser, Chris O’ Donnell, Matt Damon e Bem Affleck.
         Bem, o filme Código de Honra é uma riqueza para educador e educando ele nos mostra a realidade não da década de cinqüenta somente, mas de nossos próprios dias. A avaliação é tema do filme e de vários debates, mas a discriminação, preconceito e intolerância também os são. Portanto, eis aqui o que precisamos para começarmos uma boa discussão. É óbvio, que não devemos descriminar as pessoas pela sua religião, etnia, condição social, estrutura física etc., mas isso não para de acontecer, e o que é pior, acontece no ceio de nossas escolas. Todavia, neste filme a ética e a honra vencem o status quo dos pseudo-intelectuais e das pseudo-elites. Também, a questão de que pelo fato do homem ter um sobrenome nobre, como é o caso de Charlie Dillon (Matt Damon), ele comprar a entrada em ótimas universidades ou em qualquer que seja a instituição de ensino, ou um emprego, cai por terra. No filme isso é tratado de forma explicitamente ética por parte dos professores e dirigentes da escola. Em geral o filme nos ensina grandes lições: existem pessoas que devido à influência de sua família ou de sua condição social pensam ser pequenos deuses, e que tudo deverá girar em torno delas. Elas querem espaço e sucesso pelo viés da influencia da família e não pela capacidade e esforço próprios. São na maioria, medíocres, avarentas, mimadas e ridículas acima de tudo, fazem piadinhas com a cultura, sexualidade, deficiência e fraquezas dos outros. Pensam não precisar respeitar a ninguém, pois são da “elite” intelectual e financeira de seu país.       
         A avaliação da aprendizagem escolar, em código de honra, adquire seu sentido na medida em que se articula com o projeto pedagógico proposto pela escola e com seu conseqüente projeto de ensino, que é de uma educação tradicional, que verifica, portanto, exclui e não inclui o aluno no tão almejado curso superior. É também, uma avaliação que examina o aluno, e não diagnostica como se dá o processo de ensino-aprendizado. Porém, a avaliação, tanto no geral quanto no caso específico da aprendizagem, não possui uma finalidade em si; ela subsidia um curso de ação que visa construir um resultado previamente definido.
         No caso que nos interessa, a avaliação subsidia decisões a respeito da aprendizagem dos alunos, tendo em vista garantir a qualidade do resultado que estamos construindo. Por mesmo tempo, a questão da pluralidade cultural também passou a ser foco de atenção do filme, no Brasil está presente, inclusive, em documentos oficiais. Código de honra identifica nos Estados Unidos, algo que podemos em nossa sociedade, chamar de “mito da miscigenação brasileira”, segundo o qual não existiria preconceito racial em nosso país, posto que o Brasil tivesse sido formado por brancos, negros e índios. A noção divulgada por esse mito é, de acordo com o filme, acrítica e leva a um preconceito velado. Em uma sociedade como a brasileira, seria essa uma forma muito mais eficiente de discriminação, visto que fica implícita nas relações e no imaginário de todos, sem que dela se fale e, como conseqüência, sem que contra ela se lute, é o que se percebe na cultura norte-americana também, a partir deste filme. Assim como a trama, do filme, o Brasil não poderia simplesmente negar sua história, efetivamente realizada por portugueses brancos e aristocráticos, que trouxeram ao país um quadro rígido de valores discriminatórios. Ao longo do tempo o preconceito racial foi negado pela sociedade brasileira, por seus meios de comunicação e até mesmo pela escola, disseminando-se a noção de que o país teria como característica uma “cultura uniforme”. Dessa forma, o desprezo por muitas culturas “marginais” foi camuflado por uma falsa idéia de igualdade.
         Portanto, os diferentes modelos de educação moral são marcados, basicamente, por três tipos de concepções: o “dogmatismo moral”, pelo qual a educação está baseada em valores absolutos inquestionáveis e imutáveis, impostos por um poder autoritário de forma coercitiva; o “relativismo moral”, pelo qual as normas de conduta e os valores morais são considerados subjetivos e pessoais, não havendo um consenso sobre a melhor forma de agir; e os modelos baseados na “construção racional e autônoma de valores”, que buscam o desenvolvimento de situações que facilitem a construção da autonomia do educando e a participação democrática dos vários membros da escola. O filme parece propor toda essa discussão.



         Nilton Carvalho é professor de história e pós-graduando em educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC). ndc30@hotmail.com; http://historiaeculturandc.blogspot.com/
Precisamos de uma cruzada nacional contra a violência o crime e a impunidade. Quem vem comigo?


É de assustar a qualquer um de nós as barbaridades ocorridas no Brasil nos últimos dias. São assassinatos, seqüestros, furtos, roubos, tráfico de drogas e armas e muito, muito mais crimes e barbáries. Barbaridades estas que são às vezes inacreditáveis e fúteis, sem nenhuma necessidade fugindo então, do mundo cotidiano do crime e adentrando aos lares brasileiros, muitos deles bem formados socialmente, culturalmente e financeiramente também. Então por que estes crimes tão bárbaros acontecem até mesmo nos melhores lares do país? Seria a falta de leis eficientes, bem elaboradas e divulgadas, ou seria a consciência de que o indivíduo estará impune de seus crimes? Não seria culpa de todos nós cidadãos que não fazemos nada para mudar esta realidade tão absurda em nosso país?
Até quando não faremos nada contra o crime, a violência e o contra a impunidade? Onde estão os caras-pintadas?(Caras-pintadas foi o nome dado aos jovens e estudantes que, em agosto e setembro de 1992, pintaram o rosto de verde e amarelo e organizaram passeatas pelo impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. O primeiro presidente eleito pelo voto direto desde 1961, quando Jânio Quadros saiu vencedor nas urnas). Onde estão os integrantes do movimento “Diretas Já!”?(Foi um movimento civil de reivindicação por eleições presidenciais diretas no Brasil ocorrido em 1983. A possibilidade de eleições diretas para presidente da República no Brasil se concretizou com a votação da proposta de Emenda Constitucional Dante de Oliveira pelo Congresso Nacional. Entretanto, a Proposta de Emenda Constitucional foi rejeitada, frustrando a sociedade brasileira. Ainda assim, os adeptos do movimento conquistaram uma vitória parcial em janeiro do ano seguinte quando um de seus líderes, Tancredo Neves, foi eleito presidente pelo Colégio Eleitoral, todavia, o movimento agregou diversos setores da sociedade brasileira. Participaram inúmeros partidos políticos de oposição ao regime ditatorial, além de lideranças sindicais, civis, artísticas, estudantis e jornalísticas. Contudo, as eleições diretas para presidente do Brasil só ocorreriam em 1989, após ser estabelecida na Constituição de 1988.)
O que queremos em nosso artigo é estimular uma cruzada nacional contra o crime, a violência e a impunidade. Precisamos por tudo isso em discussão, chegam de barbáries todos os dias. A manifestação popular é uma das formas mais bonitas de fazer política e prestigiar a democracia, aliás, muitos dos grandes líderes mundiais e conquistas de todas as naturezas surgiram em razão da capacidade da sociedade se organizar e sustentar movimentos populares com sucesso. Por isso precisamos de políticos sérios, educadores, religiosos, legisladores, magistrados, jornalistas, militares, trabalhadores, a sociedade brasileira em geral para chegarmos a um denominador comum. Pensamos que só será contra isso, aquele que é bandido ou parente de bandido, porque todos os cidadãos e cidadãs de bem querem viver em paz, sabendo que aquele que agir diferente será severamente punido.
Por fim, os movimentos populares podem se manifestar de várias formas, mediante a realização de reuniões periódicas; promoção de concentrações de partidários de determinada filosofia política; edição de manifestos públicos de repúdio ou aprovação de atos, fatos, personalidades ou autoridades e, entre tantas outras, pela associação formal de pessoas com o objetivo de somar recursos, forças e experiências para viabilizar um determinado projeto. Devemos discutir pena de morte? Que se discuta. Prisão perpetua? Discutiremos também. Uma nova Constituição seria bem quista? Ótimo. Educação em tempo integral, para isso os cofres públicos deverão se colocar a disposição. O que de fato deve ser feito? Vamos discutir; debater e votar, o certo é que não dá para vivermos em completa consciência de que vivemos em absoluta impunidade. Cruzada nacional contra a violência, crime e impunidade já!

Nilton Carvalho é cabeleireiro, professor, teólogo, historiador e pós - graduando em educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC). ndc30@hotmail.com; http://historiaeculturandc.blogspot.com/

AVATAR: UMA GRANDE LIÇÃO DE RESPEITO AO OUTRO

Avatar é um filme épico de ficção científica, escrito e dirigido por James Cameron, o mesmo diretor de Titanic. Apesar de toda a exuberância tecnológica o roteiro é repleto de clichês, daqueles exibidos nos filmes mais simples que conhecemos. Por isso, não falta o mocinho que gosta de quebrar regras, todavia, talentoso, os cientistas com arrogantes e intensas atividades intelectuais, o militar linha dura, o empresário capitalista e sem escrúpulos, a garota corajosa, intelectual e amante do bem, uma história de amor e, no meio disso, várias tentativas de despertar na humanidade questionamentos sobre o respeito às diferenças culturais e suas diversidades e o cuidado com a consciência ambiental. Isso é o que mais impressiona no filme, a capacidade crítica e autônoma do diretor, em mostrar como o imperialismo estadunidense é podre, déspota e sem escrúpulos. Ele faz isso de um tipo muito certo deixando todo mundo torcendo por um final feliz. A ação prende de uma forma tão competente que a longuíssima duração é quase imperceptível. O filme vem estrelando Sam Worthington (Jake), Sigourney Weaver , Michelle Rodriguez, Zoe Saldana, Giovanni Ribisi e Joel Moore.
O filme foi produzido por Lightstorm Entertainment e distribuído pela Fox Film. A primeira exibição foi em Londres no dia 10 de dezembro de 2009, o lançamento nos EUA foi dia 18 de dezembro e no Brasil no dia 19. O filme concentra-se num conflito épico em Pandora, uma das luas de Polifemo (nomes oriundos da mitologia grega: Polifemo era um Ciclope – gigante de um só olho – vencido por Ulisses em uma de suas viagens a Tróia. Existiu ainda, outro Polifemo que era um dos Argonautas que ajudou Heracles a procurar Hilas e Mísia. Pandora – Πανδώρα - se refere na mitologia grega "a que tudo dá", "a que tudo possui" à primeira mulher, criada por Zeus como punição aos homens pela ousadia do titã Prometeu em roubar aos céus o segredo do fogo), portanto Pandora no filme é um dos três gigantes gasosos fictícios orbitando Alpha Centauri (por ser a estrela mais próxima e muito parecida com o Sol, Alfa Centauri “A” é tema constante da ficção científica: na série Perdidos no Espaço o destino original da nave Júpiter 2 era um planeta em torno de Alpha Centauri.
Em Pandora, os colonizadores humanos e os nativos humanóides, os Na’vi, entram em guerra pelos recursos do planeta e a continuação da existência da espécie nativa, algo parecido com o que aconteceu com nossos índios da América Latina e do Norte. O título do filme refere-se aos corpos humano-Na'vo geneticamente modificados e remotamente controlados e usados pelos personagens humanos do filme para interagir com os nativos, semelhante aquilo que os colonizadores fizeram ao aculturar a partir da religião praticamente exterminando os nativos das América.
James Cameron trabalha no desenvolvimento de Avatar desde 1994, tendo escrito um roteiro de 114 páginas, sendo esse seu primeiro filme após o Titanic. As filmagens deveriam ter iniciado logo após Titanic e o filme teria sido lançado em 1999. Em 2006, Cameron desenvolveu a língua e a cultura de Pandora, o Na'Vi é uma nova linguagem composta por sons guturais e conjugações esotéricas através da qual se comunicam os seres de pele azul que habitam a exuberante e espetacular selva tropical de Pandora. Esta linguagem foi imaginada e elaborada pelo lingüista Paul Frommer, professor da Universidade da Califórnia. Para inventar o Na'Vi, além dos dialetos elfo e klingon, o lingüista se inspirou no esperanto, o idioma criado no século 19 com o objetivo de facilitar a comunicação internacional. Cameron afirmou que se Avatar for bem sucedido, duas seqüências do filme serão realizadas.
O filme foi lançado em formatos 2D tradicional e 3D. A crítica diz que Avatar é uma inovação em termos de tecnologia cinematográfica devido ao seu desenvolvimento com visualização 3D e gravação com câmeras que foram feitas especialmente para a produção do filme. O orçamento oficial do filme foi de U$ 237 milhões e o faturamento mundial no seu fim-de-semana de estréia foi de US$ 232.180.000, o sétimo maior da história do cinema e o maior para um filme original, que não é adaptação ou seqüência. Uma curiosidade importante aqui é que esse é o primeiro longa-metragem de ficção de James Cameron desde o fenômeno Titanic (1997), e o primeiro filme em 3D do cineasta. Mas o que fica marcado no coração de quem o assiste, é a lição de respeito ao outro.

Nilton Carvalho é professor, teólogo, historiador e pós - graduando em educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC). ndc30@hotmail.com; http://historiaeculturandc.blogspot.com/

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Tudo é vaidade


Tudo é vaidade

Neste mundo tudo é vaidade, tudo é momento, tudo é passageiro. Nada justifica a violência nossa de cada dia, nada é mais importante que a família, que um amigo, nada se compara em poder ajudar ao outro. Nada é como poder amar e ser amado, não há dinheiro que compre a felicidade, a segurança, a saúde ou a paz.
Contudo, insistimos em sermos bárbaros, incivilizados e desumanos todos os dias no trato com nossos familiares, colegas de trabalho, de colégio ou de universidade, no transito etc., mas o que nos faz ser assim? Seriam as pressões do capitalismo e do capitalista imposta em nós os trabalhadores, que nos tornam como lobos ferozes na caça à sua presa? Por favor, alguém me responda, o que faz o ser humano ser tão demoníaco? Aonde iremos com tanta violência e desumanidade?
Para nos ajudar na grande caminhada evolutiva, deixo dois belos poemas que se seguem, reflitamos e meditemos neles tentando responder, por que tanta maldade em nós?

MUDE DE EDSON MARQUES
Mas comece devagar, porque a direção
é mais importante que a velocidade.
Mude de caminho, ande por outras ruas,
observando os lugares por onde você passa.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Descubra novos horizontes.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
Busque novos amigos, tente novos amores.
Faça novas relações.
Experimente a gostosura da surpresa.
Troque esse monte de medo por um pouco de vida.
Ame muito, cada vez mais, e de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, de atitude.
Mude.
Dê uma chance ao inesperado.
Abrace a gostosura da Surpresa.
Sonhe só o sonho certo e realize-o todo dia.
Lembre-se de que a Vida é uma só,
e decida-se por arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação, um trabalho mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Abra seu coração de dentro para fora.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Exagere na criatividade.
E aproveite para fazer uma viagem longa,
se possível sem destino.
Experimente coisas diferentes, troque novamente.
Mude de novo.
Experimente outra vez.
Você conhecerá coisas melhores e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento, a energia, o entusiasmo.
Só o que está morto não muda!
LIÇÃO DO EPITÁFIO
Titãs
Composição: Sérgio Britto
Devia ter amado mais,
Ter chorado mais,
Ter visto o sol nascer;
Devia ter arriscado mais
E até errado mais,
Ter feito o que eu queria fazer...

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são.
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído,
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos,
Trabalhado menos,
Ter visto o sol se pôr;
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos,
Ter morrido de amor...

Queria ter aceitado
A vida como ela é.
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído;
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos;
Trabalhado menos;
Ter visto o sol se pôr...
Diz a sabedoria popular que mais feliz não é quem tem muito, mas quem precisa de pouco. Muitas vezes a pessoa trabalha demais para ter muito, não conseguindo desfrutar do pouco que tem. E às vezes até para manter aparências, pessoas complicam tanto a vida e perdem o que a realidade tem proporcionado. Ao final de tudo, vem à reflexão: tudo é vaidade!

Nilton Carvalho é cabeleireiro, professor, teólogo, historiador e pós-graduando em educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC). ndc30@hotmail.com; http://historiaeculturandc.blogspot.com/

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O que leva a classe média e as camadas mais pobres ao crime?



O que leva a classe média e as camadas mais pobres ao crime?




Uma crise de valores contribui para a participação de pessoas de classe média em quadrilhas do crime organizado, em atos criminosos individuais e em episódios marcados por violência em todo o Brasil e em especial na cidade do Rio de Janeiro. Essa é a opinião do antropólogo Gilberto Velho, 54, professor titular do Museu Nacional (instituição da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ) que, nas últimas três décadas, fez estudos sobre o que chama de camadas médias. E as camadas mais pobres porque se marginalizam? Segundo alguns especialistas a criminalidade no Brasil ocorre principalmente nas camadas mais pobres devido à carência de recursos econômicos e técnicos, falta de maiores e melhores investimentos em educação, segurança e saude, à corrupção na política aliada à falta de apoio político-institucional, do governo federal e principalmente nos governos estaduais, no Legislativo e no Judiciário. As camadas chamadas de elite também se marginalizam, mas o nosso foco por hora é o sugerido no título do artigo.

Segundo o III Relatório Nacional sobre Direitos Humanos no Brasil (focaliza o período 2002-2005), a ineficácia do Estado perante o aumento da violência gera ainda mais violações de direitos humanos e impunidade, além de aumentar o sentimento de insegurança e revolta da população. De acordo com estudos, 48.374 pessoas morreram vítimas de agressão em 2004, uma média de 27 por grupo de 100 mil habitantes. Na faixa etária de 15 a 24 anos, foram 18.599 mortes, média de 51,6 por 100 mil habitantes. Entre 2002 e 2005, 3.970 pessoas foram mortas por policiais no Rio de Janeiro e, em São Paulo, 3.009. O III Relatório Nacional sobre Direitos Humanos no Brasil, apontou também um aumento dos conflitos rurais que passaram de 925 em 2002 para 1.881 em 2005. O número de mortes nessas disputas quase duplicou no período, subindo para 102 vítimas. A conclusão é de que houve retrocesso nessa área de 2002 a 2005, as classes menos abastadas que sempre foram culpadas pela violência agora começam a ser ameaçadas em sua “liderança de crimes”, pois a grande vilã no aumento da criminalidade é a classe média. Jovens bem vestidos que possuem boas moradias e estilos de vidas, que são bem educados em ótimas escolas, freqüêntam bons shopings, teatros, boates, possuem as melhores oportunidades de trasbalho etc., agora são pegos em atos barbaros de crimes hediondos, traficos de drogas etc. Em suma, aquele discurso das décadas de 1980 e 1990 que a criminalidade e violência eram culpa das desigualdades sociais, das poucas oportunidades de ascenção social das classes mais pobres, não tem mais fundamento, desafio os intelectuais e estudiosos do tema a uma nova compreenção do assunto para que se explique o por quê de boa parte da classe média que tem todas as oportunidades aderirem ao mundo do crime.

As atitudes violentas cometidas por jovens de classe média e moradores de áreas pobres das regiões metropolitanas das grandes cidades do Brasil têm assustado toda a sociedade brasileira. Para a psicóloga e mestre em educação, Ana Karina Brenner, do Observatório Jovem da UFF (Universidade Federal Fluminense), trata-se de uma luta de classes “Toda vez que um adolescente pobre comete um crime contra alguém da classe média se discute a redução da maioridade penal”, ressalta Brenner. Do ponto de vista da luta de classes, contrário à redução, o juiz da 37ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, Geraldo Prado vai mais além. Para ele, o debate da redução da maioridade é um retorno disfarçado do autoritarismo que insiste em criminalizar adolescentes, especialmente os que moram nas favelas e periferias. “É todo um projeto de criminalização contra um grupo de pessoas que são ‘indesejáveis’ na sociedade”, discute. “Há mais negros dentro das cadeias do que nas universidades”, exemplifica Prado.

Nas últimas semanas, fatos fizeram a classe média brasileira se perguntar se o perigo não está mais perto do que se imagina. Pois, quando a classe média compra drogas ela está financiando, patrocinando oficialmente a violência, como chacinas, assaltos, roubos, furtos, latrocínios etc., contra si mesmo e também contra as classes menos abastadas e a elite financeira deste país. Por exemplo, os crimes praticados contra a cabeleireira Elenir Maria de Queiroz, de 63 anos, depois de ser ferida durante um assalto no dia 2 de outubro em Goiânia. E contra Evandro João da Silva coordenador do Afroreggae no início da madrugada do dia 18 de outubro na cidade do Rio de Janeiro, mostra como a classe média é refém de si mesmo, provavelmente Elenir e Evandro jamais compraram drogas, mas foram vítimas de criminosos que com certeza vendiam drogas para boa parte de usuários da classe. A parcela desta classe que compra drogas, estar comprando em curto ou médio prazo a morte violenta de inocentes de qualquer classe social.

Por fim temos alguns casos de membros da classe média aderir ao mundo do crime como por exemplos, F.B., um garoto de 17 anos, educado em tradicional colégio alemão, foi assassinado com mais cinco jovens em um morro da zona sul carioca, para onde se mudara a fim de traficar drogas. Ainda, Maurício Chaves da Silveira, o Mauricinho Botafogo, 25, foi preso sob acusação de participar de um bando dedicado a assaltos a apartamentos de vários Estados. Filho do dono de uma agência de turismo e cambio do Rio, já cumprira um ano de prisão por assalto em Blumenau (SC). Em Goiânia na boate Santa Fé o jovem Ge¬di¬el¬son Ro¬dri¬gues, de 22 anos, evangélico filho do ca¬bo da Po¬lí¬cia Mi¬li¬tar Wan¬der¬ley Lu¬iz Ro¬dri¬gues um ho¬mem de bem, assassinou covardemente Hi¬gor Bru¬no Bor¬ges Es¬te¬ves, de 23 anos, estudante de far¬má¬cia, era um ga¬ro¬to do bem, não era de freqüentar bo¬a¬tes e de fa¬zer far¬ras. Já Gedielson, segundo informações da polícia à imprensa já praticara outro homicídio com o apoio de uma gan¬gue, ma¬tou Pab¬lo Hen¬ri-que Go¬mes, de 17 anos, em 2005, não es¬tu¬dava, não tra¬ba¬lhava e praticou ainda outros crimes. A de¬le¬ga¬da Adri¬a¬na Ri¬bei¬ro re¬ve¬la que a mãe de Ge¬di¬el¬son, Nil¬va¬ne Eli¬za¬beth Ro¬dri¬gues, as¬su¬miu que ha¬via “rou¬ba¬do” um car¬ro úni¬ca e ex¬clu¬si¬va¬men¬te pa¬ra lim¬par a bar¬ra do fi¬lho. Casos como esses criaram a sensação de que nunca o crime foi tão tentador aos jovens de classe média. Dados parciais e obtidos com critérios pouco definidos da Justiça sugerem que há mais gente de classe média no crime, mas os levantamentos são inconclusos. Pesquisa da Secretaria de Estado da Justiça do Rio constata que a pobreza não é fator determinante da criminalidade. Segundo os dados, 81% dos presos de 18 a 24 anos no sistema penitenciário estadual tiveram o sustento de suas casas assegurado pelo pai, à mãe ou ambos. De todo modo, os pobres continuam sendo as maiores vítimas da violência. Afirma Gilberto Velho.

Nilton Carvalho é professor, teólogo, historiador e pós-graduando em educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC). ndc30@hotmail.com; http://historiaeculturandc.blogspot.com/.